Tarek Rasouli retorna às pistas de mountain bike após 24 anos e volta a saltar em Whistler

Uma das figuras históricas do freeride mundial, o alemão Tarek Rasouli voltou a percorrer as pistas do Whistler Mountain Bike Park, no Canadá, após 24 anos afastado das trilhas de mountain bike. A retomada aconteceu no verão de 2026, com uma bicicleta adaptada Bowhead RX equipada com assistência elétrica da Bosch.

A volta tem um significado especial para Rasouli. Em 2002, um grave acidente durante as filmagens de um vídeo de mountain bike em Sun Peaks, também na província canadense da Colúmbia Britânica, provocou uma lesão na coluna vertebral que o deixou paraplégico e usuário de cadeira de rodas.

Mais de duas décadas depois, com o desenvolvimento de bicicletas adaptadas e sistemas de assistência elétrica, ele conseguiu retornar a um ambiente que ajudou a construir: as pistas de mountain bike e freeride.

O reencontro aconteceu em Whistler, um dos destinos mais conhecidos do mountain bike mundial. E não foi apenas um passeio contemplativo: Rasouli voltou a encarar saltos e trechos técnicos, recuperando parte das sensações que marcaram sua trajetória como atleta.

Quem é Tarek Rasouli?

fonte: acervo

Para entender a importância desse retorno, é necessário conhecer a trajetória de Tarek Rasouli no mountain bike.

Nascido na Alemanha, Rasouli começou sua carreira no BMX, chegando a conquistar o título de campeão nacional alemão da modalidade. Em meados da década de 1990, passou a se dedicar ao mountain bike e se tornou um dos pioneiros europeus do freeride.

Na época, o freeride ainda estava em formação. A modalidade ganhou força principalmente na região de North Shore, no Canadá, com trilhas construídas sobre estruturas de madeira, grandes obstáculos, saltos e descidas técnicas.

Rasouli foi um dos responsáveis por levar esse estilo de pilotagem para a Europa e ajudar a popularizá-lo internacionalmente.

No final dos anos 1990, tornou-se um dos primeiros atletas globais de mountain bike patrocinados pela Red Bull. Em 2000, integrou a histórica equipe de freeride da Rocky Mountain, ao lado de nomes como Wade Simmons, Richie Schley e Brett Tippie.

Também participou de produções importantes da época, incluindo a série de filmes Kranked, que ajudou a apresentar o freeride a uma audiência mundial.

Sua influência, entretanto, não ficou restrita às competições e aos vídeos. Rasouli também teve papel importante na estruturação do esporte, especialmente na organização de eventos e no desenvolvimento de novos talentos.

Em 2010, foi um dos cofundadores da Freeride Mountain Bike Association (FMBA), entidade criada para apoiar o desenvolvimento e a organização do freeride. Em 2022, seu nome foi incluído no Mountain Bike Hall of Fame, reconhecimento à sua contribuição para a história da modalidade. mmbhof.org+1

O acidente que mudou sua carreira

fonte: acervo pessoal

Em julho de 2002, durante uma sessão de filmagem para o projeto Kranked 5, em Sun Peaks, no Canadá, Rasouli sofreu uma queda grave que provocou uma fratura na região lombar da coluna vertebral.

A lesão resultou em paraplegia, encerrando sua carreira como atleta profissional de mountain bike.

Apesar da mudança radical em sua vida, ele não abandonou o esporte. Inicialmente, concentrou-se na recuperação e, posteriormente, passou a trabalhar como jornalista e profissional de marketing esportivo.

Em 2005, fundou a Rasoulution, agência especializada em comunicação, marketing e gestão de atletas do universo do ciclismo.

Ao longo dos anos, a empresa esteve envolvida na carreira de importantes nomes do mountain bike, incluindo Danny MacAskill, Thomas Genon, Fabio Wibmer e Erik Fedko.

Rasouli também participou da organização de eventos importantes, como o Red Bull District Ride e o Nissan Qashqai Challenge, além de contribuir para o crescimento do Crankworx e de outras competições internacionais. mmbhof.org+1

Bowhead RX tornou possível o retorno às pistas

fonte: Bowhead

Embora tenha permanecido na cadeira de rodas, Rasouli voltou a pedalar alguns anos depois do acidente, utilizando uma handbike, bicicleta adaptada movimentada por manivelas acionadas com os braços.

Inicialmente, suas atividades ficavam restritas a estradas pavimentadas e ciclovias. As limitações de tração, suspensão e capacidade de enfrentar subidas íngremes dificultavam o acesso às trilhas de mountain bike.

fonte: Bowhead

A mudança começou em 2024, quando recebeu uma Bowhead RX, bicicleta elétrica adaptada desenvolvida no Canadá. O modelo permitiu que ele voltasse a explorar terrenos de terra, cascalho e algumas trilhas.

Em 2026, durante o Crankworx Whistler, Rasouli recebeu uma segunda geração da Bowhead RX, desenvolvida em colaboração com a Bosch e equipada com o motor Performance Line CX.

A bicicleta possui uma configuração bastante diferente de uma mountain bike convencional. Com três rodas, duas dianteiras e uma traseira, o modelo utiliza um sistema de suspensão integral e comandos manuais, permitindo que o ciclista conduza e controle a assistência elétrica com os membros superiores.

fonte: Bowhead

Entre os principais componentes e características da configuração utilizada por Rasouli estão:

  • Motor: Bosch Performance Line CX;
  • Torque máximo: 120 Nm;
  • Potência máxima: 750 W;
  • Nível de assistência: até 600%;
  • Baterias: duas Bosch PowerTube de 750 Wh;
  • Suspensão: sistema MoFlo, com 115 mm de curso;
  • Rodas dianteiras: duas de 24 polegadas;
  • Roda traseira: 27,5 polegadas.

O conjunto oferece assistência para enfrentar subidas e permite que o ciclista tenha maior autonomia em terrenos irregulares. A suspensão também ajuda a absorver impactos e manter o contato das rodas com o solo.

De volta ao Whistler Bike Park, com direito a saltos

A escolha de Whistler para o retorno não foi por acaso. Rasouli já conhecia o local desde o início dos anos 2000 e havia participado de atividades e treinamentos no bike park antes do acidente.

Acompanhado por Gustavo Ortiz, conhecido como Guga, da Bowhead, ele começou a experiência na área Joyride Skill Area, utilizada para treinamento e desenvolvimento de habilidades.

Depois de se adaptar à bicicleta e aos comandos, avançou para a pista Crank It Up, conhecida por suas sequências de saltos e obstáculos.

O alemão conseguiu voltar a saltar e experimentar novamente a sensação de estar no ar sobre uma bicicleta, algo que não vivenciava havia mais de duas décadas em um bike park.

Em seu relato, Rasouli destacou a emoção de voltar a subir a montanha de teleférico e encarar as pistas de Whistler. Ele afirmou que não sentia aquela alegria sobre uma bicicleta havia mais de 24 anos.

O retorno também foi acompanhado por uma produção em vídeo divulgada pela Bosch eBike Systems, mostrando a experiência e os recursos da bicicleta adaptada. Canadian Cycling Magazine+1

Mais do que um retorno individual

A história de Tarek Rasouli também chama atenção para a evolução das bicicletas adaptadas e para as possibilidades que a assistência elétrica vem oferecendo ao mountain bike.

Modelos como a Bowhead RX mostram como soluções de engenharia, suspensão específica e motores elétricos podem ampliar o acesso a terrenos que anteriormente eram muito difíceis ou até inacessíveis para determinados ciclistas com deficiência.

O caso de Rasouli tem um significado adicional por se tratar de alguém que ajudou a construir a história do freeride mundial. Depois de contribuir durante décadas para o desenvolvimento do esporte nos bastidores, ele voltou a experimentar pessoalmente aquilo que sempre fez parte de sua trajetória.

E Whistler, cenário de alguns dos momentos mais importantes de sua carreira, voltou a ser palco de uma nova etapa de sua história no mountain bike.

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