A bicicleta elétrica que elimina o câmbio traseiro e tem um motor de 150 Nm

A Alutech apresentou a ePelmo X1P, uma e-MTB de enduro desenvolvida especificamente em torno do novo sistema de transmissão Gobao X1P, que combina motor elétrico e câmbio de variação contínua eletronicamente controlado (ECVT) em uma única unidade.

A solução elimina componentes tradicionais do sistema de transmissão, como cassete, câmbio traseiro e corrente. No lugar, a bicicleta utiliza uma correia, enquanto a seleção da relação é feita internamente pelo conjunto Gobao X1P.

O sistema entrega números elevados para uma e-MTB: 150 Nm de torque máximo e até 1.500 W de potência de pico, com uma faixa de relações de 500%. A proposta coloca a ePelmo X1P entre as bicicletas elétricas de montanha mais tecnicamente diferentes apresentadas para a próxima temporada.

A Alutech afirma que a nova bicicleta não é simplesmente uma ePelmo convencional equipada com um motor diferente. O quadro foi completamente redesenhado para receber o sistema Gobao e integrar a transmissão por correia.

As primeiras unidades estão previstas para serem entregues entre o final de março e o início de abril de 2027.

Motor e transmissão no mesmo conjunto

O elemento central da ePelmo X1P é o Gobao X1P, um sistema que combina o motor elétrico e a transmissão ECVT em uma única carcaça.

Diferentemente de uma bicicleta convencional, na qual o ciclista seleciona diferentes pinhões e coroas por meio do câmbio, o ECVT trabalha com uma variação contínua da relação. Isso permite que a transmissão encontre uma relação adequada sem os saltos entre marchas característicos de um sistema convencional.

O ciclista pode utilizar o sistema manualmente ou deixar que o gerenciamento eletrônico faça as mudanças automaticamente. A proposta é manter a cadência dentro de uma faixa adequada sem exigir intervenções constantes no comando do câmbio.

O X1P tem 3,85 kg, carcaça de magnésio e faixa de relações de 500%. A Gobao também informa capacidade de trabalhar com cadências superiores a 120 rpm.

Outro ponto importante é que os números de potência e torque são valores máximos declarados pelo fabricante. Como acontece com outros sistemas de e-bike, eles não devem ser interpretados automaticamente como potência ou torque disponíveis de maneira contínua em todas as condições de utilização.

Fim do câmbio traseiro?

A consequência mais evidente da arquitetura da Gobao X1P é a retirada do câmbio traseiro.

Na ePelmo X1P, a potência chega à roda traseira por meio de uma correia, enquanto a transmissão fica incorporada ao conjunto central.

Isso modifica uma das características mais conhecidas das mountain bikes modernas. Em uma bicicleta convencional, o câmbio traseiro fica exposto na região inferior direita do quadro e está sujeito a impactos provocados por pedras, galhos e outros obstáculos.

Em uma e-MTB de enduro, essa exposição pode ser especialmente problemática. A ePelmo tenta reduzir esse risco ao concentrar a transmissão junto ao motor e deixar a parte traseira da bicicleta livre de cassete, corrente e câmbio.

A arquitetura também reduz a quantidade de componentes móveis expostos ao ambiente. Por outro lado, transfere boa parte da complexidade mecânica para dentro da unidade Gobao.

Esse é um dos pontos que deverão ser observados nos testes de longa duração: uma transmissão convencional pode ser desmontada e receber manutenção ou substituição de componentes relativamente conhecidos. Em um sistema integrado, problemas na transmissão significam trabalhar em um conjunto muito mais específico.

Uma e-MTB desenvolvida em torno do sistema

A Alutech não simplesmente adaptou um quadro existente para receber o X1P.

Segundo a fabricante, a ePelmo foi redesenhada desde o início para acomodar o novo sistema de transmissão. A empresa afirma que o quadro possui uma construção completamente nova, embora mantenha a identidade visual característica da marca.

O modelo utiliza quadro de alumínio e foi desenvolvido para uso em enduro, com 170 mm de curso na dianteira e 170 mm na traseira.

A bicicleta poderá ser configurada com rodas 29 polegadas ou em configuração mullet, com roda de 29 polegadas na dianteira e 27,5 polegadas na traseira. O peso declarado fica em torno de 23 kg, dependendo da configuração e do tamanho.

A integração da transmissão também permitiu à Alutech trabalhar com um sistema específico de tensionamento da correia. O objetivo é manter a transmissão protegida e preservar a geometria do conjunto traseiro.

Bateria de 750 Wh e recarga rápida

O Gobao X1P é acompanhado pela bateria BT750FS, com capacidade de 750 Wh.

Embora não seja a maior bateria disponível atualmente em uma e-MTB, o diferencial está no sistema de recarga. Segundo os dados divulgados para o conjunto, utilizando um carregador de 30 A, a bateria pode chegar a aproximadamente 50% de carga em 16 minutos e 80% em 28 minutos.

A característica pode ser particularmente interessante para utilização em bike parks, centros de trilhas ou durante sessões de treinamento nas quais o ciclista precisa recuperar rapidamente a autonomia entre diferentes períodos de uso.

É importante, porém, separar capacidade energética de velocidade de recarga. Uma bateria de 750 Wh não significa automaticamente maior autonomia que sistemas de capacidade superior. O consumo dependerá da potência utilizada, do peso do conjunto, do terreno, da temperatura, da velocidade e do nível de assistência selecionado.

150 Nm não significam apenas mais potência

O número de 150 Nm chama atenção, mas o principal aspecto técnico da ePelmo X1P não está necessariamente no torque máximo.

Motores potentes já fazem parte do mercado de e-MTBs de alto desempenho. A novidade está na combinação entre esse torque e uma transmissão capaz de variar continuamente a relação.

Em uma transmissão convencional, o ciclista precisa escolher entre relações predefinidas. Mesmo sistemas modernos com 12 velocidades possuem um número limitado de combinações.

No ECVT, a relação pode variar continuamente dentro da faixa disponível. Em teoria, isso permite manter o motor e o ciclista em uma faixa de funcionamento mais adequada com menos interrupções provocadas pelas trocas de marcha.

Para uma e-MTB de enduro, isso pode representar uma vantagem principalmente em terrenos nos quais a inclinação muda rapidamente.

Em uma subida técnica, por exemplo, a bicicleta pode reduzir a relação sem que o ciclista precise antecipar a mudança. Em uma seção mais rápida, o sistema pode aumentar a relação novamente.

O resultado pretendido é uma entrega de potência mais contínua.

A questão da eficiência

A tecnologia, entretanto, também levanta algumas questões que ainda precisarão ser respondidas por testes independentes.

A principal delas é a eficiência da transmissão.

Sistemas CVT possuem características diferentes de transmissões convencionais e, em determinadas condições, podem apresentar perdas mecânicas superiores. Em uma bicicleta elétrica isso é particularmente importante porque qualquer perda adicional pode significar maior consumo de energia e menor autonomia.

No caso do X1P, ainda há poucos dados independentes de laboratório sobre eficiência, durabilidade e comportamento térmico em uso prolongado.

Portanto, os números de 150 Nm e 1.500 W devem ser tratados como especificações declaradas pela Gobao, e não como uma demonstração definitiva de superioridade sobre motores concorrentes.

A própria arquitetura terá de provar, em uso real, se a facilidade de operação e a redução de componentes externos compensam a complexidade adicional concentrada no motor e na transmissão.

A manutenção também muda

A eliminação do câmbio traseiro não significa necessariamente que a bicicleta terá menos manutenção.

A correia pode apresentar vantagens em relação à corrente em determinados ambientes, principalmente pela menor exposição à sujeira e pela ausência de lubrificação convencional.

Por outro lado, a transmissão ECVT concentra componentes mecânicos e eletrônicos dentro de uma única unidade.

Isso cria uma situação diferente daquela encontrada em uma mountain bike tradicional. Em caso de desgaste ou falha, a manutenção poderá depender mais da rede autorizada e da disponibilidade de peças específicas.

É justamente nesse ponto que a chegada das primeiras bicicletas às mãos dos consumidores será importante. A ePelmo X1P será uma oportunidade para verificar como o sistema se comporta não apenas em uma apresentação de produto, mas depois de centenas ou milhares de quilômetros de trilhas.

Um novo caminho para as e-MTBs

A ePelmo X1P também deve ser analisada dentro de uma tendência maior da indústria.

Fabricantes de sistemas de transmissão estão trabalhando em soluções que integram motor e câmbio, reduzindo a dependência do tradicional conjunto formado por corrente, cassete e câmbio traseiro.

A Gobao X1P segue esse caminho ao combinar um motor de alta potência com uma transmissão ECVT. A diferença em relação às caixas de câmbio tradicionais é justamente a possibilidade de variação contínua da relação.

A Alutech é uma das primeiras fabricantes a transformar essa tecnologia em uma bicicleta de produção anunciada para o mercado. A Gobao havia apresentado os sistemas X1 e X1P na Eurobike 2026, com previsão de produção em série para 2027.

Isso significa que a ePelmo pode ser apenas o primeiro exemplo de uma arquitetura que poderá aparecer em outros segmentos de bicicletas elétricas.

Primeiras unidades chegam em 2027

A Alutech já aceita encomendas da ePelmo X1P, enquanto as primeiras entregas estão previstas para o final de março ou início de abril de 2027. A marca também apresentou uma edição de lançamento limitada a 50 unidades.

O preço anunciado para a configuração de lançamento é elevado, o que coloca a bicicleta em uma faixa premium do mercado europeu.

Ainda assim, o principal interesse da ePelmo X1P não está apenas no preço ou na lista de componentes. A bicicleta representa um experimento concreto com uma arquitetura diferente para as e-MTBs.

A combinação de 150 Nm, 1.500 W, transmissão ECVT, correia e 750 Wh mostra que a indústria está tentando resolver um problema que vai além de simplesmente aumentar a capacidade das baterias ou a potência dos motores.

A pergunta agora é se o ciclista realmente ganha com essa mudança.

Se a transmissão contínua conseguir entregar boa eficiência, confiabilidade e controle intuitivo, a Gobao X1P poderá abrir espaço para uma nova geração de e-MTBs sem câmbio traseiro. Se a complexidade, o peso, a manutenção ou as perdas mecânicas se mostrarem problemas relevantes, a tecnologia poderá permanecer restrita a aplicações específicas.

Por enquanto, a Alutech ePelmo X1P é uma das propostas mais interessantes do mercado de e-MTBs para 2027 justamente porque não tenta apenas fazer uma bicicleta elétrica convencional mais potente: ela muda a arquitetura da transmissão.

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