Pneus de MTB que já usei e minhas principais impressões – relato real
Que bom que você está aqui. Esse é um texto que eu escrevo com muito carinho sobre a minha experiência real que tive com pneus e um pouco do que eu aprendi com eles.
Sempre fui um atleta que fez questão de economizar dinheiro ao máximo e logo percebi que os pneus eram um dos maiores rombos financeiros que podem existir pra quem anda de bicicleta.
Quando eu ainda não tinha uma speed para treinar e ainda usava a mtb nos treinos de asfalto, toda semana eu desmontava as rodas da minha bike, tirava os pneus de MTB e instalava uns pneus lisos e finos, bem parecidos com os de speed.
Eu gastava horas da minha semana fazendo essa desmontagem e remontagem dos meus pneus só pra economizar um pouco de borracha – que até hoje considero como algo sagrado.
Lembro-me de um aprendizado que tive em uma competição de 100 kms de distância: eu perdia a traseira em várias curvas, parecia que eu estava pilotando mal… Sempre derrapando, nunca fazendo a curva com coerência.
Quando a corrida terminou, vi que o pneu estava careca. Caramba, a física é realmente cruel. Pelo visto não dá pra economizar com pneus mesmo!
Vamos ao que interessa: um breve relato de pneus que usei.
Continental Race King na traseira e Cross King na dianteira


Esse é um clássico dos anos 2010 a 2015. A Continental era o pneu mais desejado de MTB nessa época, assim como era a que possuía os preços mais altos (hoje os preços voltaram ao normal). Usei em praticamente todas as competições que fiz nesse período e só abri mão de experimentar outra marca quando viajei pra fora do Brasil e precisei comprar um Maxxis as pressas (vamos falar dele mais pra baixo).
Esses Continental eram famosos por não serem fabricados na China, mas sim na Alemanha. Hoje não nos importamos mais com isso e sabemos que a qualidade é a mesma. Acredito que eles tenham hoje algumas linhas que ainda sejam fabricadas na Alemanha e outras na China, mas já escutei que todo o maquinário e treinamento utilizado por lá é vindo da Alemanha.
Tecnicamente, deixei de usar esses pneus por que percebi que tinham uma durabilidade muito boa. Isso era excelente no quesito ‘economia’, mas não muito bom para quem buscava grip.
Foi uma marca que performou de forma fantástica em minha cicloviagem de 18 mil kms, onde eu não troquei o Mountain King que estava na dianteira em nenhum momento. Me acompanhou todo o tempo com maestria.

Sim, era um pneu muito cascudo para uma cicloviagem, mas deixei essa foto para vocês entenderem que as vezes aparece uma estrada ruim e é extremamente desgastante não estar com pneus próprios pra isso, principalmente depois de muitas horas de pedal.
Isso foi em 2018, desde então não usei mais nada da Continental. Como todas as marcas fazem de tempos em tempos, eles fizeram novos lançamentos e possuem mais novidades, acredito vale a pena testar.
Um exemplo dessas mudanças é o novo pneu Dubnital 2.4, que é a escolha dos atletas de XC que competem pela Continental.
Hoje eles não são mais os mais caros do mercado e possuem um investimento gigantesco em grandes nomes como um patrocínio no novo time da Scott Brasil, o novo time de estrada de Henrique Avancini (Localiza Meoo) e o time de Tadej Pogacar.

Pogi testando a resistência a mordidas de do seu Continental Grand Prix 5000 700×28
Maxxis – os melhores pneus de MTB na minha opinião
Sim, durante o meu relacionamento com a Continental eu acabei tendo um deslize e me apaixonei por um Maxxis. Era um Ikon que coloquei na dianteira para competir o mundial de 24 horas na Austrália. Eu precisava de algo robusto, não poderia ter nenhum furo em hipótese alguma.
Ele era um pneu um pouco mais pesado. Ali eu experimentava pela primeira vez na vida a ideia de não escolher o mais leve, e sim o mais resistente. Depois, este virou o meu lema. Acredito que isso pode não ser uma qualidade para os atletas profissionais, mas para os mortais é algo excelente.

Existem algumas variações do Maxxis Ikon e essa imagem aí parece ser uma versão mais atual do que aquele que eu usei em meados de 2015. A Maxxis nunca teve um marketing muito forte no Brasil, talvez por isso a gente não sabia da capacidade técnica dessa marca.
De lá pra cá o Nino Schurter terminou de virar uma lenda do MTB e a marca ganhou mais expressividade, fazendo a gente entender a qualidade que eles tem.

Esse é o pneu que o Nino usa, o Maxxis Aspen St Xc 2.4.
O preço dele pode cair um pouco nas versões 2.25 ou com menos TPIs. Ele tem um irmão com nome e desenho muito parecidos, o Maxxis Aspen EXO, que possui mais cravos.

Eu já usei esse aí da foto acima uma vez, confesso que não me lembro se gostei. Aquele lá de cima que o Nino usa, o mais careca, nunca usei, mas segue a minha análise:
As novas pistas de XC não possuem mais aquela estradinha em alta velocidade com pequenas pedrinhas soltas que vão te fazer escorregar. Toda a pista é bem varrida, geralmente seca e dura, portanto os profissionais precisam de contato com o chão e alta rolagem.
Por isso, foi muito bom para eles diminuir o tamanho dos cravos e aumentar a largura do pneu para 2.4 – quando comecei a competir de XC os pneus eram 1.8 a 2.0.
E o legal é que todas as marcas possuem um pneu dessa categoria: cravos baixos e alta rolagem. Seguem alguns:
Thunderburt – Schwalbe

Esse é um pneu de alta rolagem da Schwalbe. Usei ele na traseira quando competi o Inca Divide, uma prova de gravel (que eu fui de mtb) de 1.600 kms de distância.
Uma das melhores rolagens em pneus de MTB. Henrique Avancini usou esse pneu durante as suas vitórias no XCO (não sei se ele usava também no XCM)
Segue aqui um review que a SingleTracks fizeram dele.
Percebi pelas buscas na internet que existe um pneu mais comercializado (e talvez mais atual) que parece ocupar a mesma categoria, o Schwalbe Rick.

Em uma entrevista que fiz com o Henrique Avancini, perguntei por que motivo ele usava esse pneu e ele disse que dependia de uma habilidade muito boa de saber “flutuar” nas trilhas. Certamente Nino Schurter pensa o mesmo com seu Maxxis Aspen.
Abaixo, o Vittoria Terreno XC Trail, que compete na mesma categoria de “XC de alta velocidade/quase gravel”

Parece ser mais veloz e mais rolado do que os seus concorrentes da Schwalbe e da Maxxis. Tem cravos só nas laterais pra você fazer curva. Perigoso? Talvez.
Pneus para chuva
Ok, aqui chegou um ponto polêmico. Esqueça os pneus acima, eles viram um festival de tombos se você os utilizar em um terreno com lama ou barro.
Para estas situações você vai precisar de cravos altos e com um espaço razoável entre eles, pois você quer ter um tipo de “garra” que vai cravar naquela argila e evitar que sua bicicleta escorregue por aí.
Também, o composto da borracha precisa ser mais macio, para se moldar àquela meleca da trilha chuvosa.
A notícia ruim é que esse pneu vai andar mal demais caso o tempo dê uma melhorada e a trilha fique sequinha. Ele vai te agarrar um pouco e, pra quem se importa em economizar borracha, ele vai desgastar bem mais rápido.
Mas se você mora em algum lugar que é sempre chuvoso, tipo o Rio Grande do Sul ou Ubatuba, essa lista é pra você.
Michelin Wild Mud

Percebeu? Isso aí segura que é uma beleza, legal também que ele tem um cravo que fica em cima de outro cravo, mas em uma direção diferente.
Maxxis Severe

Viu como existe bastante espaço entre os cravos? Outra coisa importante sobre os pneus de lama é que eles não podem ser tão largos, portanto nessa hora a modinha do 2.4 fica de lado e a galera opta por um 2.20 ou 2.25
Vittoria Barzo

O Barzo não é o campeão da chuva projetado pela Vittoria, eles ainda possuem o Torrente, que ao meu ver tem o desenho similar, mas não encontrei à venda na internet. De Qualquer forma, o Barzo me parece uma boa opção para os dias molhados, talvez menos extremo do que os apresentados acima.
Pneus trail em bikes de XC
Bom, a conversa não acaba nunca. Atualmente a minha bicicleta de XC utiliza pneus que não foram projetados para tal modalidade. E olha que ela é bem antiga já, uma Scott Scale ano 2018. Nino Schurter choraria no chuveiro se visse essa combinação:
Os pneus Wicked Will da Schwalbe transformaram a minha bicicleta em outra. Mais largos, cravos maiores e levemente espaçados, podendo encarar um pouco de chuva e um grip absurdo para curvas e pedras soltas. Boa rolagem? Não muito. Dura bastante? Acredito que não, mas o fator diversão ficou muito bom

Ele tem um desenho bem reto e muitos sulcos no topo dos cravos, que permite que eles sem moldem às demandas de uma curva ou frenagem.

Na minha bike trail, uma Sense Hardcore que tem suspensão de 150 mm e um espaço bem maior para pneus, utilizo os Michelin Force AM na traseira e o Wild AM na dianteira.
Perceba que eles são mais robustos do que os Schwalbe na minha Scott.

Cravos mais altos, já rodei bastante com eles.
Não podemos deixar de falar sobre a família Force produzida pela Michelin. Entre as suas variações desse modelo você vai encontrar pneus de arame bem baratos até alguns de kevlar e composto super nobres que os profissionais usam nas principais corridas de XCM e XCO do mundo.

- Michelin Force 29×2.25 Arame
- Michelin Force Xc2 Performance 29×2.25
- Michelin Force Am 29×2.25
- Par Pneu Michelin Force Am Performance 29 X 2,35
- Michelin Force Am2 Compettition Line Ts 29×2.40
Bom, acho que ficou um pouco mais longo do que eu planejava e gastei mais tempo do que imaginava para montar essa apresentação. Sei que ainda não falei por exemplo dos pneus Specialized que são muito importantes nesse meio – usei a combinação do Fast Track na traseira e o The Captain na dianteira durante muitos anos.
Acho que o The Captain não existe mais, talvez tenha sido substituído pelo Butcher (não sei).
Também deixei de falar dos Schwalbe Racing Ralph que experimentei só la na época das aro 26 e existem até hoje com o mesmo nome, lembro que eram um pouco mais leves (logo frágeis) naquela época. Hoje eles possuem um estudo super complexo do composto de borrachas, Avancini chegou a falar sobre isso uma vez.
Ainda sobre Maxxis eu acabei ignorando os gigantes do enduro, o Minion DHF e Minion DHR, que tive a oportunidade de testar na Cannondale Habit e gostei muito. São um dos preferidos e mais utilizados nessa modalidade, podem testar sem medo.
Por favor me lembrem quais pneus vocês gostariam de ter visto aqui, é bem provável que eu tenha alguma experiência com alguns deles e talvez até dê pra fazer uma segunda parte desse artigo escrito (obrigado à quem chegou até o fim, acredito que não sejam muitos leitores).
Bons pedais e não percam o grip!

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