3T atualiza sua gravel Racemax+ com maior espaço para pneus e nova geometria
3T apresenta Racemax+ WPNT: gravel de competição agora aceita pneus de até 51 mm
A italiana 3T apresentou a Racemax+ WPNT, uma atualização de sua conhecida plataforma de gravel racing que chega com maior capacidade para pneus largos, geometria revisada e uma faixa ampliada de tamanhos. A novidade mantém a proposta aerodinâmica da família Racemax, mas incorpora mudanças para acompanhar a evolução das competições de gravel, nas quais pneus mais volumosos e maior estabilidade ganharam importância.

Apresentada em 5 de novembro de 2026, a nova bicicleta substitui a geração anterior da Racemax WPNT. Segundo a fabricante, o objetivo não foi desenvolver uma plataforma completamente diferente, mas evoluir o projeto original, preservando suas características de velocidade e melhorando a adaptação a diferentes condições de terreno.

Entre as principais alterações está a possibilidade de utilizar pneus de até 51 mm de largura real em configurações com transmissão de coroa única. Nas montagens com pedivela de duas coroas, o limite passa a ser de 48 mm.

A 3T também ampliou a gama para seis tamanhos, de XS a XXL, e modificou pontos importantes da geometria, especialmente na traseira e na dianteira do quadro.
Espaço para pneus de até 51 mm
A maior capacidade para pneus é uma das principais evoluções da Racemax+ WPNT.
A bicicleta foi projetada para oferecer desempenho aerodinâmico com pneus de 700c entre 38 e 48 mm. Entretanto, quando equipada com transmissão 1x, o conjunto de quadro e garfo permite utilizar pneus de até 51 mm de largura.

Nas configurações 2x, o limite é de 48 mm, devido ao espaço necessário para acomodar o câmbio dianteiro e a corrente.
A fabricante utiliza duas medidas para determinar a compatibilidade dos pneus: WAM (Width As Measured), que representa a largura efetivamente medida após a montagem no aro, e RAM (Radius As Measured), correspondente à distância entre o centro do eixo e a extremidade externa do pneu.
Para a Racemax+ WPNT, a largura máxima de 51 mm está associada a um raio máximo de 363 mm. A 3T também estabelece dimensões mínimas de 36 mm de largura e 350 mm de raio.

Essa abordagem é importante porque a medida impressa na lateral do pneu nem sempre corresponde à dimensão real. Um modelo anunciado como 45 mm, por exemplo, pode apresentar largura diferente dependendo do aro utilizado e da pressão de calibragem.
O aumento do espaço disponível permite trabalhar com pressões menores, maior volume de ar e mais capacidade de absorção de irregularidades. Em percursos de gravel com cascalho solto, ondulações e descidas técnicas, essas características podem contribuir para melhorar a tração e o controle.
A proposta, entretanto, continua sendo uma bicicleta de competição. A 3T mantém o foco em velocidade e eficiência aerodinâmica, em vez de transformar a Racemax em uma plataforma de gravel voltada exclusivamente ao cicloturismo ou ao bikepacking.
Geometria revisada para maior estabilidade
A 3T também modificou a geometria para acompanhar a utilização de pneus mais largos e as exigências das provas modernas de gravel.

O comprimento das escoras traseiras passou de 418 mm para 425 mm em todos os tamanhos. O aumento de 7 mm contribui para uma plataforma mais estável, especialmente em velocidades elevadas e sobre superfícies irregulares.
O garfo também recebeu maior offset, enquanto o ângulo da direção foi ajustado para manter uma resposta direta e previsível nas curvas.

| Size | XS | S | M | L | XL | XXL |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Rider height* (cm) | 145–160 | 157–171 | 168–180 | 176–186 | 183–195 | 192 and up |
| Rider height* (ft/in) | 4′9″–5′3″ | 5′2″–5′7″ | 5′6″–5′11″ | 5′9″–6′1″ | 6′0″–6′5″ | 6′3″ and up |
| 01. Stack (mm) | 525 | 547 | 569 | 589 | 609 | 637 |
| 02. Reach (mm) | 354 | 367 | 377 | 385 | 393 | 404 |
| 03. Head tube angle (°) | 69 | 70.5 | 71.5 | 71.5 | 71.5 | 71.5 |
| 04. Fork axle-to-crown (mm) | 388 | 388 | 387 | 387 | 387 | 387 |
| 05. Head tube length (mm) | 121 | 138 | 154 | 175 | 196 | 225 |
| 06. BB drop (mm) | 77 | 77 | 77 | 77 | 77 | 77 |
| 07. Seat tube angle (°) | 74 | 74 | 74 | 74 | 74 | 74 |
| 08. Seat tube length (mm) | 440 | 463 | 490 | 509 | 537 | 565 |
| 09. Top tube length (mm) | 504 | 523 | 540 | 553 | 567 | 580 |
| 10. Front center (mm) | 602 | 609 | 607 | 622 | 636 | 650 |
| 11. Rear center (mm) | 425 | 425 | 425 | 425 | 425 | 425 |
| 12. Wheelbase (mm) | 1015 | 1022 | 1020 | 1035 | 1050 | 1065 |
Outro detalhe é o aumento de 3 mm no stack e no reach em praticamente toda a gama, com exceção do tamanho XS. O stack determina a altura da dianteira em relação ao movimento central, enquanto o reach representa a distância horizontal entre esses pontos.
Essas alterações são relativamente pequenas quando observadas isoladamente, mas fazem parte de um conjunto de modificações que busca equilibrar posição aerodinâmica, estabilidade e controle.
A proposta é permitir que o ciclista mantenha uma posição agressiva para pedalar rápido sem comprometer excessivamente a dirigibilidade quando o percurso deixa de ser previsível.

Seis tamanhos, do XS ao XXL
Outra mudança importante é a ampliação da oferta de tamanhos.
A Racemax+ WPNT passa a ser oferecida em seis opções, de XS a XXL. A faixa contempla ciclistas com estaturas aproximadas entre 145 cm e mais de 192 cm, segundo as referências divulgadas pela fabricante.

A ampliação é relevante porque bicicletas de gravel racing costumam apresentar geometrias bastante esportivas. Uma escolha inadequada de tamanho pode comprometer conforto, distribuição de peso e controle, especialmente em provas de longa duração.
Com mais opções, a 3T procura atender a uma variedade maior de proporções corporais sem depender tanto de ajustes extremos na posição do selim e do cockpit.
Quadro de carbono produzido na Ásia e montagem na Itália
Um dos aspectos mais interessantes da nova Racemax+ WPNT está na estratégia industrial.

O quadro é desenvolvido na Itália, mas sua fabricação utiliza parceiros industriais na Ásia, com construção em carbono pré-impregnado, conhecido como prepreg.
Depois de produzido, o quadro é enviado para a Itália, onde recebe pintura na unidade da 3T em Montello e passa pelo processo de montagem das bicicletas completas.
A sigla WPNT faz referência justamente à expressão inglesa We Paint, utilizada pela marca para identificar essa linha de produtos.
Essa estratégia diferencia a Racemax+ WPNT das versões mais caras da família ITALIA e ITALIA X, que utilizam processos de fabricação de carbono realizados diretamente na unidade italiana da empresa.

A 3T afirma que concentrou o desenvolvimento da nova bicicleta nos elementos essenciais para o gravel de velocidade, deixando de lado recursos adicionais, como compartimento interno de armazenamento no quadro.
O resultado esperado é uma redução significativa no custo final. Segundo a fabricante, uma montagem equivalente da nova Racemax+ WPNT custa aproximadamente US$ 1.000 a menos que a geração anterior no mercado norte-americano. Na comparação divulgada para o mercado italiano, a redução também fica próxima de € 1.000.

A mudança mostra como fabricantes premium estão buscando alternativas para tornar bicicletas de carbono mais competitivas comercialmente, sem necessariamente abandonar o desenvolvimento e a montagem de seus produtos na Europa.
Transmissões Shimano e SRAM
A Racemax+ WPNT chega com diferentes possibilidades de montagem.
Uma das configurações utiliza o Shimano GRX mecânico de 12 velocidades, com transmissão 1x e rodas Fulcrum LITE GR.
Outra opção utiliza o SRAM Rival XPLR AXS eletrônico de 13 velocidades, também com coroa única. Nessa configuração, o consumidor pode escolher entre rodas Fulcrum LITE GR ou o conjunto de carbono 3T Discus 40|30.
A fabricante também confirmou a possibilidade de encomendar uma montagem com SRAM Force XPLR 1x, mediante consulta aos distribuidores.
O quadro utiliza o padrão UDH (Universal Derailleur Hanger), que estabelece uma interface padronizada para a fixação do câmbio traseiro. A solução facilita a disponibilidade de ganchos de reposição e permite compatibilidade com sistemas de transmissão que utilizam esse padrão.
Outro recurso é a tecnologia Semi-Integrale, que permite ocultar até três cabos na região dianteira, contribuindo para uma aparência mais limpa e melhor integração dos componentes.
O quadro aceita transmissões mecânicas 1x e eletrônicas tanto 1x quanto 2x.
Preços e disponibilidade
A 3T posiciona a Racemax+ WPNT abaixo das versões de fabricação italiana da família Racemax.
No mercado europeu, as configurações anunciadas incluem versões com Shimano GRX e SRAM Rival XPLR AXS, com preços que variam conforme a montagem e o mercado de comercialização.
Nos Estados Unidos, os valores divulgados começam em US$ 4.800 para a versão SRAM Rival XPLR AXS com rodas Fulcrum e chegam a US$ 5.600 com rodas de carbono 3T Discus 40|30.

O quadro também será comercializado separadamente. Os preços podem variar de acordo com o país, impostos e disponibilidade nos distribuidores.
A bicicleta estará disponível em três opções de cores: Foresta Green, Vela Beige e Quarzo Grey.
A evolução do gravel de competição
A atualização da Racemax+ WPNT acompanha uma tendência cada vez mais evidente no gravel competitivo: a aproximação entre bicicletas aerodinâmicas de estrada e plataformas capazes de enfrentar terrenos mais exigentes.
Nos primeiros anos de popularização do gravel, muitas bicicletas priorizavam versatilidade, conforto e capacidade para pneus largos. Com o crescimento das provas de alto nível, entretanto, surgiu uma categoria mais especializada, na qual aerodinâmica, rigidez, peso e eficiência de transmissão passaram a ter importância semelhante à observada no ciclismo de estrada.
A 3T foi uma das marcas que apostaram nessa aproximação com o lançamento da Exploro, em 2016, e posteriormente da Racemax, em 2020.
Com a Racemax+ WPNT, a fabricante procura atualizar essa proposta para uma realidade na qual pneus de 45 mm ou mais já fazem parte das escolhas de muitos competidores.
O desafio está em encontrar o equilíbrio entre velocidade e capacidade de enfrentar terrenos variados. Pneus mais largos podem oferecer vantagens em conforto, aderência e controle, mas também exigem atenção à aerodinâmica, ao peso e à compatibilidade com o quadro.
A nova Racemax+ WPNT representa a tentativa da 3T de conciliar essas características em uma plataforma voltada ao gravel de desempenho.

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