Paul Seixas vence a Il Lombardia e se torna o campeão mais jovem em todos os 120 anos de existência da prova de ciclismo

Francês ataca na subida de Civiglio, chega sozinho a Como e conquista seu primeiro Monumento, encerrando uma sequência de cinco vitórias consecutivas de Tadej Pogačar na clássica italiana.

O francês Paul Seixas, da Decathlon CMA CGM, venceu neste sábado (10 de outubro) a 120ª edição da Il Lombardia, uma das cinco provas Monumento do ciclismo de estrada. Aos 20 anos, o jovem ciclista conquistou a vitória mais importante de sua carreira até agora ao cruzar sozinho a linha de chegada em Como, na Itália, após um ataque decisivo na parte final do percurso.

A vitória também colocou Seixas na história da competição. Ele se tornou o vencedor mais jovem da Il Lombardia, superando uma marca que permanecia intacta desde a edição inaugural, em 1905. O resultado confirma a ascensão do francês entre os principais nomes do ciclismo internacional e encerra a temporada dos cinco Monumentos com um novo campeão.

O espanhol Enric Mas terminou na segunda colocação, enquanto o italiano Giulio Ciccone completou o pódio. Entre os principais candidatos ao título, o britânico Tom Pidcock e o belga Remco Evenepoel também estiveram na disputa, mas não conseguiram acompanhar o ritmo decisivo do francês.

Ataque em Civiglio define a corrida

A decisão da prova aconteceu na subida de Civiglio, uma das dificuldades mais importantes do trecho final da Il Lombardia. Com aproximadamente 19 quilômetros para a chegada, Seixas acelerou e provocou uma seleção imediata entre os favoritos.

A mudança de ritmo colocou Evenepoel em dificuldades e reduziu o grupo que disputava a vitória. Inicialmente, apenas Pidcock e Ciccone conseguiram acompanhar o francês. A resistência dos dois, porém, durou pouco: Seixas voltou a acelerar e abriu distância suficiente para seguir isolado rumo a Como.

A partir daquele momento, a disputa passou a ter dois objetivos distintos: Seixas precisava administrar a vantagem até a chegada, enquanto os perseguidores tentavam reorganizar a perseguição para evitar que a diferença se tornasse definitiva.

O francês manteve o ritmo nas estradas finais e sustentou o ataque até a linha de chegada. Em uma prova marcada por sucessivas subidas e elevado desgaste físico, a capacidade de acelerar no momento decisivo e continuar produzindo potência depois do ataque foi determinante para o resultado.

Um percurso de 239 quilômetros e cerca de 4.600 metros de subida

A edição de 2026 da Il Lombardia percorreu aproximadamente 239 quilômetros entre Bergamo e Como, com cerca de 4.600 metros de desnível acumulado. Conhecida como a Clássica das Folhas Mortas, a corrida encerra tradicionalmente a temporada dos cinco Monumentos e é considerada uma das provas de um dia mais exigentes do calendário internacional.

O percurso combinou subidas longas, trechos de inclinação elevada e um final com pouco espaço para recuperação. Entre as dificuldades estavam a Madonna del Ghisallo, subida tradicional da história do ciclismo italiano, e as ascensões de Civiglio e San Fermo della Battaglia, fundamentais para a definição da classificação.

Nesse tipo de percurso, a seleção dos favoritos costuma acontecer progressivamente. As equipes precisam controlar as fugas, posicionar seus líderes antes das subidas decisivas e administrar o esforço ao longo de várias horas de competição. No trecho final, a capacidade de sustentar ataques repetidos e recuperar-se entre as acelerações é tão importante quanto a potência máxima.

Seixas aproveitou esse cenário para transformar sua capacidade de escalada em vantagem competitiva. Em vez de depender de uma chegada em grupo reduzido, o francês decidiu a prova com um ataque individual e sustentou a diferença até o fim.

Fim do domínio de Pogačar

A vitória de Seixas encerrou a sequência de cinco títulos consecutivos de Tadej Pogačar na Il Lombardia, conquistados entre 2021 e 2025. O esloveno não participou da edição deste ano após sofrer uma queda na Vuelta a España.

A ausência do campeão abriu espaço para uma disputa mais ampla entre os principais candidatos, incluindo Seixas, Evenepoel, Pidcock e Ciccone. O francês, entretanto, aproveitou a oportunidade e venceu de forma convincente, sem depender de uma decisão em sprint.

A mudança no nome do campeão não diminui a importância do resultado. Vencer um Monumento exige capacidade para competir durante muitas horas, lidar com adversários de alto nível e executar uma estratégia em um percurso que frequentemente favorece os ciclistas mais completos.

Para a Decathlon CMA CGM, a conquista representa um resultado de grande relevância, sendo o primeiro monumento vencido pela equipe. Para Seixas, significa passar de jovem promessa a vencedor de uma das corridas mais tradicionais e seletivas do calendário mundial.

O triunfo na Itália reforça uma temporada de crescimento para o francês. Antes da Il Lombardia, Seixas já havia demonstrado capacidade para disputar provas de alto nível, com destaque para o segundo lugar na Liège-Bastogne-Liège, atrás de Pogačar, e a quarta colocação no Tour de France de 2026.

O resultado na clássica italiana ganha importância adicional por acontecer apenas duas semanas depois de uma participação abaixo das expectativas no Campeonato Mundial, em Montreal, no qual terminou na 15ª posição.

A resposta veio em uma das corridas mais difíceis do calendário. Seixas demonstrou capacidade de recuperação competitiva e executou um ataque preciso em um momento no qual os adversários já acumulavam o desgaste das subidas anteriores.

Aos 20 anos, o francês também se tornou o primeiro representante da França a vencer um Monumento desde Julian Alaphilippe, campeão da Milano-Sanremo em 2019. No caso específico da Il Lombardia, o último francês a conquistar a prova havia sido Thibaut Pinot, em 2018.

Classificação dos primeiros colocados

A disputa terminou com Seixas isolado na primeira posição e Enric Mas à frente de Ciccone na luta pelo segundo lugar. A seguir, os cinco primeiros colocados:

  1. Paul Seixas — Decathlon CMA CGM
  2. Enric Mas — Movistar Team
  3. Giulio Ciccone — Lidl-Trek
  4. Tom Pidcock — Pinarello Q36.5
  5. Remco Evenepoel — Red Bull-BORA-hansgrohe

Um novo nome entre os vencedores dos Monumentos

A Il Lombardia de 2026 termina com uma mudança importante na hierarquia da clássica italiana. Depois de cinco edições dominadas por Pogačar, a vitória de Seixas apresenta um novo protagonista para uma das corridas mais seletivas do ciclismo profissional.

Mais do que a idade do vencedor, o aspecto técnico que chama a atenção é a maneira como ele decidiu a prova: um ataque em uma subida exigente, a eliminação progressiva dos adversários e a capacidade de sustentar o esforço até a chegada.

Com seu primeiro Monumento conquistado, o francês encerra a temporada com um dos resultados mais expressivos de sua carreira e passa a integrar a lista de campeões da Clássica das Folhas Mortas.

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