Giant apresenta bike elétrica Trance Advanced 2027 com motor de 120 Nm, controle de tração e canote eletrônico próprio
A Giant apresentou a nova geração da Trance Advanced E+, plataforma de mountain bike elétrica que chega à linha 2027 com mudanças importantes no sistema de assistência, na eletrônica embarcada e na integração entre motor, bateria e componentes. A atualização também se estende à Liv, marca do grupo voltada ao público feminino, com a nova Intrigue Advanced E+.
O principal destaque técnico está no novo motor SyncDrive Pro 4, desenvolvido pela Giant em parceria com a Yamaha. O conjunto entrega até 120 Nm de torque e 850 W de potência máxima, números que colocam a unidade entre os sistemas de maior capacidade disponíveis atualmente para e-MTBs.

A nova geração também incorpora um sistema eletrônico de controle de tração, canote retrátil acionado eletronicamente e conectado à bateria principal, monitoramento da pressão dos pneus, recursos antifurto e integração com aplicativos e sistemas de localização.
A proposta da Giant não é apenas aumentar a potência da assistência. A arquitetura da nova Trance Advanced E+ procura integrar diferentes sistemas eletrônicos da bicicleta em uma única plataforma, permitindo controlar motor, bateria, canote, câmbio e recursos de segurança a partir de uma mesma infraestrutura.

Motor SyncDrive Pro 4 chega aos 120 Nm
O novo SyncDrive Pro 4 é um dos componentes centrais da atualização. O motor fornece até 120 Nm de torque e alcança potência máxima de 850 W.
O conjunto pesa aproximadamente 2,4 kg e utiliza um sistema elétrico de 48 V. De acordo com as informações apresentadas pela Giant, a arquitetura foi desenvolvida para melhorar o gerenciamento térmico e a eficiência do sistema.
Na prática, o torque elevado tem uma função particularmente relevante em e-MTBs destinados a terrenos técnicos. Em uma subida íngreme, por exemplo, a capacidade de entregar força em baixa velocidade pode permitir que o ciclista mantenha uma cadência mais constante mesmo diante de mudanças bruscas de inclinação.
Entretanto, números de torque e potência não devem ser analisados isoladamente. O comportamento de uma bicicleta elétrica depende também da forma como o software administra a assistência, da curva de entrega de potência, da capacidade da bateria, da transmissão e da aderência disponível.
É justamente nesse ponto que a Giant introduz uma das principais novidades da Trance Advanced E+: o sistema eletrônico de controle de tração.
Controle de tração para terrenos de baixa aderência
O Traction Control System (TCS) utiliza os sensores da bicicleta para identificar situações em que a roda traseira começa a perder aderência.

Em uma e-MTB, o problema pode ser mais evidente porque o motor consegue aplicar uma quantidade significativa de torque à roda traseira. Em uma subida técnica com pedras soltas, raízes ou terreno úmido, excesso de torque pode fazer o pneu patinar em vez de transformar a força do motor em movimento.
O sistema da Giant monitora parâmetros como cadência e torque e, quando identifica perda de tração, reduz temporariamente a assistência. Depois que a situação é controlada, o sistema retorna ao nível de assistência selecionado pelo ciclista.
A tecnologia pode ser particularmente útil para quem utiliza a bicicleta em trilhas técnicas e subidas de baixa aderência.
Também representa uma mudança na maneira como o ciclista interage com o motor. Em vez de simplesmente escolher um modo de assistência e administrar manualmente a entrega de potência, parte desse gerenciamento passa a ser realizada pela eletrônica.
Isso pode facilitar a condução em determinadas situações, embora ciclistas mais experientes possam preferir controlar diretamente a aplicação de torque por meio da pressão nos pedais e da escolha da marcha.
Bateria de 840 Wh e extensor opcional
A Trance Advanced E+ utiliza uma bateria principal de 840 Wh, capacidade significativa para uma bicicleta destinada ao uso em trilhas.

A autonomia real, entretanto, continua dependendo de fatores como peso do ciclista, temperatura, relevo, modo de assistência, velocidade, tipo de terreno e comportamento do motor. Por isso, a capacidade nominal da bateria é mais útil para comparação entre sistemas do que para prever uma distância específica.
A Giant também oferece o EnergyPak Plus 280, extensor de autonomia de 280 Wh.
Com a bateria principal e o extensor instalados, a capacidade total chega a 1.120 Wh.
O EnergyPak Plus 280 pesa aproximadamente 1,5 kg e é instalado nos pontos de fixação da caramanhola. Segundo a fabricante, o componente mantém 80% de seu desempenho máximo por mais de 800 ciclos e apresenta vida útil estimada em 2.300 ciclos.
A possibilidade de utilizar mais de 1 kWh de capacidade é particularmente interessante para percursos longos, provas de e-MTB ou trilhas nas quais o acesso a pontos de recarga é limitado.
Por outro lado, o peso adicional precisa ser considerado. Uma bateria maior aumenta a autonomia, mas também acrescenta massa ao conjunto. Em uma bicicleta de mountain bike, esse fator tem influência tanto nas acelerações quanto na condução em trechos técnicos e nas mudanças de direção.
Canote eletrônico conectado à bateria
Outro componente integrado à arquitetura elétrica é o Contact Switch E+, canote retrátil acionado eletronicamente.

O sistema utiliza a bateria principal da bicicleta, eliminando a necessidade de uma bateria independente para o canote.
Há quatro opções de curso do canote:
- 100 mm;
- 140 mm;
- 170 mm;
- 200 mm.
O acionamento é feito pelo controlador RideControl Ergo 5.

A integração é interessante porque o canote retrátil é um dos componentes mais utilizados em uma mountain bike moderna. Em descidas, o ciclista pode baixar o selim para liberar espaço de movimentação sobre a bicicleta e, posteriormente, elevá-lo para trechos de pedalada.
Segundo a Giant, o sistema pode realizar quase 20 mil acionamentos mesmo depois de a bateria principal chegar a 0%.
A solução também reduz a quantidade de baterias e carregadores específicos necessários para a bicicleta, embora acrescente mais um componente dependente do sistema elétrico principal.
Eletrônica centralizada no Smart Gateway 2.0
A nova Trance Advanced E+ possui uma arquitetura eletrônica denominada Smart Gateway 2.0.

Ela funciona como uma central de comunicação entre diferentes componentes da bicicleta, incluindo motor, bateria, controles, display, canote eletrônico, câmbio, monitoramento da pressão dos pneus e sistemas de segurança.
A bicicleta possui seis sensores e seis níveis de assistência:
- Eco;
- Tour;
- Active;
- Sport;
- Power;
- Boost.
Os modos podem ser personalizados por meio do sistema RideControl.

A possibilidade de alterar características como torque máximo, aceleração, resposta e overrun permite ajustar o comportamento do motor às preferências do ciclista e às condições do terreno.
Esse tipo de personalização vem se tornando uma característica importante das e-MTBs de maior nível tecnológico. O motor deixa de ser um componente isolado e passa a funcionar como parte de um sistema eletrônico mais amplo.
Monitoramento da pressão dos pneus
A Giant também incorporou o Aegis Tyre Checker, sistema destinado ao monitoramento da pressão dos pneus.

A tecnologia acompanha a pressão dos pneus dianteiro e traseiro e pode apresentar informações em tempo real. Também pode emitir alertas quando a pressão sai dos limites definidos ou apresenta uma queda rápida.
A solução é compatível tanto com pneus utilizando câmaras quanto com sistemas tubeless.
Em uma mountain bike, a pressão correta dos pneus tem influência direta sobre aderência, resistência à rolagem, conforto e proteção contra impactos.
A possibilidade de acompanhar a pressão sem utilizar um manômetro externo pode ser útil, especialmente para quem utiliza diferentes configurações de pressão de acordo com o tipo de terreno.
Recursos de segurança e localização
A eletrônica da Trance Advanced E+ também desempenha funções relacionadas à segurança.
O sistema E-Lock, controlado pelo aplicativo RideControl, permite bloquear eletronicamente a bicicleta e desativá-la remotamente.
A plataforma também pode emitir um sinal sonoro e utilizar a rede Apple Find My para auxiliar na localização da bicicleta.
É importante diferenciar esses recursos de um sistema antifurto físico. O bloqueio eletrônico não substitui um cadeado ou outra forma de proteção quando a bicicleta permanece estacionada em um ambiente público.
A vantagem está principalmente na integração digital e na possibilidade de dificultar o uso da bicicleta por terceiros, além de facilitar sua localização caso ela seja equipada e configurada para isso.
Quadro de carbono e suspensão de 150 mm
A nova Trance Advanced E+ utiliza quadro de carbono Advanced, com suspensão traseira de 150 mm e garfo dianteiro de 160 mm.

A plataforma utiliza o sistema de suspensão traseira Maestro, tecnologia tradicionalmente empregada pela Giant em suas bicicletas de mountain bike.
A geometria também pode ser ajustada por meio de um flip chip de três posições.
A configuração padrão apresenta ângulo de direção de 64,5 graus, enquanto o ângulo do tubo do selim é de 77 graus.

O sistema permite alterar esses números em aproximadamente 0,4 grau para cada lado.
A possibilidade de alterar a geometria permite adaptar a bicicleta a diferentes características de terreno e preferências de condução.
Com 160 mm de suspensão dianteira e 150 mm atrás, a Trance Advanced E+ está posicionada para uma utilização mais agressiva em trilhas, mas sem entrar na categoria das e-MTBs de maior curso voltadas especificamente para enduro.
Peso e componentes
A Giant informa peso aproximado de 21,9 kg para as bicicletas completas, dependendo da configuração.
Esse número deve ser interpretado considerando a presença de uma bateria de 840 Wh e um motor de 120 Nm. Em uma e-MTB, a massa adicional dos componentes elétricos precisa ser analisada em conjunto com a capacidade de assistência oferecida.
A versão topo de linha Advanced 0 E+ recebe suspensão Fox Factory, rodas de carbono e transmissão SRAM XX Eagle Transmission.
A Advanced 1 E+ utiliza suspensão Fox Performance, rodas de alumínio e transmissão SRAM GX AXS.
Já a Advanced SE E+ combina suspensão Crest com transmissão eletrônica sem fio TRP.
A versão Advanced 2 E+ utiliza garfo RockShox Psylo Gold RC e transmissão Shimano Deore de 12 velocidades.
Quatro versões para a linha 2027
A linha será composta por quatro configurações principais:
| Modelo | Preço informado |
|---|---|
| Trance Advanced 0 E+ | £8.999 / US$ 11.700 / €9.999 |
| Trance Advanced 1 E+ | £6.999 / US$ 9.400 / €7.999 |
| Trance Advanced SE E+ | £5.999 / US$ 7.800 / €6.699 |
| Trance Advanced 2 E+ | £5.499 / €5.999 |
Os preços variam conforme o mercado e não representam o valor que será praticado no Brasil.
As primeiras unidades estão previstas para começar a ser enviadas a partir de novembro de 2026.
Mais eletrônica, mais possibilidades — e mais complexidade
A nova Giant Trance Advanced E+ mostra uma tendência clara no segmento de e-MTBs: a evolução não está acontecendo apenas nos motores e nas baterias.
Controle de tração, monitoramento de pressão, canote eletrônico, câmbio eletrônico, bloqueio digital e sistemas de localização estão sendo incorporados à mesma plataforma.
Do ponto de vista técnico, isso permite criar uma bicicleta com maior capacidade de gerenciamento eletrônico. O ciclista pode configurar o comportamento do motor, acompanhar informações dos pneus e controlar diferentes componentes por meio de uma interface integrada.
Existe, porém, um aspecto que merece atenção: quanto maior o número de componentes eletrônicos, maior também é a dependência de software, sensores, bateria e comunicação entre os sistemas.
Para o usuário, isso significa que a manutenção de uma e-MTB moderna tende a envolver não apenas componentes mecânicos tradicionais, mas também diagnóstico eletrônico e atualizações de software.
Na Trance Advanced E+ 2027, a Giant parece ter concentrado seus esforços justamente nessa integração. O motor de 120 Nm e a bateria de 840 Wh fornecem a capacidade necessária para enfrentar percursos exigentes, enquanto o controle de tração procura administrar a força disponível.
O resultado é uma e-MTB que combina suspensão de 150/160 mm, quadro de carbono e uma arquitetura eletrônica bastante ampla. Mais do que simplesmente aumentar a potência do motor, a nova geração procura controlar como essa potência é aplicada ao terreno.
A Giant Trance Advanced E+ 2027 chega, portanto, como uma plataforma que representa bem a atual evolução das bicicletas elétricas de mountain bike: mais torque, baterias maiores, maior integração eletrônica e uma quantidade crescente de funções automatizadas. Para o ciclista, a principal questão passa a ser menos sobre a existência dessas tecnologias e mais sobre quanto delas realmente faz diferença no tipo de trilha e utilização pretendidos.

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