Absa Cape Epic 2027: veja o percurso com distância e altimetria de cada etapa
A Absa Cape Epic 2027 terá um dos percursos mais variados dos últimos anos. A 23ª edição da principal prova de mountain bike por etapas da África do Sul será realizada entre 21 e 28 de março de 2027, no Western Cape, em um traçado que combina longas distâncias, grandes ascensões, singletracks técnicos, estradas de terra e trechos de alta velocidade.
Ao todo, serão oito dias de competição, considerando o prólogo e as sete etapas, com aproximadamente 701 quilômetros e 17.150 metros de ganho de elevação. O percurso começa no Lourensford Wine Estate, em Somerset West, e termina no Imbuko Wines, em Wellington. No caminho, os competidores passam por regiões como Ceres, Koue Bokkeveld, Eselfontein, Witzenberg, Tulbagh, Swartland e Riebeek Kasteel.
A edição de 2027 também terá um marco histórico: a subida de Waboomsberg, em Ceres, levará os competidores ao ponto mais alto já alcançado pelo percurso da Cape Epic. A prova ainda terá como destaque a Queen Stage, na sexta-feira, com 83 km e 3.100 m de ascensão acumulada.
Como é tradicional na Cape Epic, a competição é disputada por duplas. Isso significa que o desempenho não depende apenas da capacidade individual: ritmo, estratégia, alimentação, assistência entre os parceiros e capacidade de superar os trechos técnicos em conjunto fazem parte da dinâmica da prova.
Prólogo – 21 de março
Lourensford Wine Estate – 27 km | 1.050 m de elevação


A Cape Epic 2027 começa com um prólogo relativamente curto em distância, mas bastante exigente quando se observa a relação entre quilômetros e ganho de elevação.
Serão 27 quilômetros com 1.050 metros de ascensão, em um circuito dentro da região de Lourensford, em Somerset West. O traçado terá sentido horário e já apresentará aos competidores algumas das características que serão repetidas ao longo da semana: subidas curtas e íngremes, descidas técnicas e trechos de singletrack nos quais a escolha da linha terá importância.
Entre os pontos destacados estão Pinot Stairs e a subida N4, seguidos por uma descida que passa pelo novo Rock Wall berm. O trecho Toyota Tough Section será localizado em Schoeman’s, antes de o percurso atravessar o vale e chegar a Big Switch.
Apesar de não ter a mesma distância das grandes etapas, o prólogo possui importância estratégica. O tempo obtido determina a posição de largada para a sequência da competição, o que pode fazer diferença principalmente nos primeiros quilômetros das etapas de maratona.
Para os competidores, portanto, não se trata apenas de uma tomada de tempo curta. É também o primeiro contato competitivo com o terreno da edição 2027.
Etapa 1 – 22 de março
Ceres – Ceres | 127 km | 2.450 m de elevação


A primeira etapa de verdade já será uma das mais longas da edição. Serão 127 quilômetros e 2.450 metros de ganho de elevação, com largada e chegada em Ceres.
O grande destaque será Waboomsberg, que representa o ponto de maior altitude já alcançado pela Cape Epic. Antes dele, o percurso passa por Old Theron’s Pass, que funciona como uma espécie de introdução para as dificuldades maiores do dia.
A subida de Waboomsberg deverá ser um dos primeiros grandes testes físicos da competição. O trecho combina extensão, ganho de altitude e exposição às condições climáticas. Depois de atingir a região elevada, os competidores entram no Koue Bokkeveld e seguem para os terrenos de Kaleo.
A descida também será tecnicamente relevante, com presença de formações rochosas de arenito e trilhas que exigem controle da bicicleta. A etapa termina com o retorno por Old Gydo Pass.
A combinação de distância elevada e uma subida de grande porte torna a primeira etapa um teste particularmente importante para as duplas. Além do condicionamento físico, será necessário administrar energia e equipamento, pois ainda haverá muitos dias de competição pela frente.
Etapa 2 – 23 de março
Ceres – Ceres | 103 km | 2.050 m de elevação


Depois da longa abertura, a segunda etapa reduz a distância para 103 quilômetros, mas mantém uma altimetria significativa: 2.050 metros de ganho acumulado.
O percurso seguirá em direção a Eselfontein, conhecida por sua extensa rede de trilhas de mountain bike. Diferentemente da primeira etapa, a característica predominante será a sucessão de setores técnicos e mudanças de ritmo.
O percurso será dividido em três grandes loops. Depois de uma primeira parte mais acessível, os competidores encontrarão uma subida de singletrack que conduz à região acima de Death Drop.
Na segunda volta aparecem Dead Man Walking e Baboon’s Highway, antes da entrada na conhecida descida Pipeline. Esse será o Toyota Tough Section da etapa, com pedras, linhas estreitas e necessidade de precisão na condução.
Em uma prova por duplas, esse tipo de terreno tem uma característica adicional: uma diferença pequena entre os parceiros pode comprometer o ritmo da equipe. Por isso, além da habilidade individual, será necessário manter uma velocidade compatível entre os dois ciclistas.
O último loop passa pela região do reservatório de Eselfontein, encerrando uma etapa marcada principalmente pela variedade técnica.
Etapa 3 – 24 de março
Ceres – Saronsberg, Tulbagh | 87 km | 2.250 m de elevação


A terceira etapa será a primeira grande mudança de região da edição. A largada acontece em Ceres e a chegada será em Saronsberg, Tulbagh, novo ponto de concentração da prova.
Serão apenas 87 quilômetros, mas com 2.250 metros de ascensão, uma relação bastante elevada entre distância e ganho de elevação.
O percurso cruza o Ceres Valley e volta a utilizar a região de Old Gydo Pass antes de avançar para o Bokkeveld Plateau e as montanhas Witzenberg.
A partir daí, a característica do terreno muda. A rota atravessa uma região agrícola formada por pomares e propriedades rurais, passando por Slagboom e Welgemeen.
O trecho decisivo aparece posteriormente, na região de Die Eike e Witzenberg Ridge. Ali está o Wagon Trail, escolhido como Toyota Tough Section da etapa.
A descida é considerada um dos setores técnicos importantes do dia e encerra uma sequência de montanha antes da chegada a Saronsberg.
Por ser uma etapa de transição, ela também terá importância logística. As equipes deixarão Ceres e passarão a utilizar Tulbagh como base para os dias seguintes, enquanto o percurso começa a apresentar com maior intensidade as montanhas do Witzenberg.
Etapa 4 – 25 de março
Saronsberg – Saronsberg | 96 km | 2.550 m de elevação


A quarta etapa será disputada integralmente a partir de Saronsberg e terá 96 quilômetros e 2.550 metros de ganho de elevação.
Tecnicamente, é uma das etapas mais interessantes da edição porque a altimetria será construída por uma sequência de subidas e descidas. O percurso terá cinco grandes ascensões e cinco descidas, em vez de concentrar toda a dificuldade em uma única montanha.
O dia começa com a subida de Oakhurst, seguida por uma descida em um novo trecho de switchbacks. Depois, a rota avança em direção às montanhas Groot Winterhoek.
Um dos pontos de destaque será a subida para God’s Window, que combina ganho de altitude e exposição às montanhas da região.
Posteriormente, o percurso atravessa o vale e chega às trilhas de Kilprivier, antes de voltar a ganhar altitude em direção a Schoonderzicht e ao conhecido Bone Trail, construído pelo responsável pelas trilhas locais Deon Wilkins.
Essa configuração faz da quarta etapa uma prova de resistência acumulada. Não há necessariamente uma única subida que explique toda a dificuldade. O problema está na repetição: subir, descer, voltar a subir e repetir o processo até o final.
Para as duplas, será um teste de gerenciamento de esforço.
Etapa 5 – 26 de março
Saronsberg, Tulbagh – Imbuko Wines, Wellington | 114 km | 2.350 m de elevação


A quinta etapa será a segunda mais longa da edição, com 114 quilômetros e 2.350 metros de ascensão.
Ela também apresenta uma mudança importante de característica. Depois de vários dias dominados por montanhas e trilhas, o percurso passa a utilizar grandes trechos de estradas de terra e áreas abertas do Swartland.
A largada acontece em Tulbagh e começa com uma subida relativamente acentuada para deixar o vale. Depois, a rota segue em direção às estradas abertas da região.
Nesse trecho, o vento pode assumir papel importante. Em estradas abertas, o posicionamento da dupla e a capacidade de alternar quem permanece à frente passam a ter grande influência sobre o consumo de energia.
O percurso chega a Riebeek Kasteel e posteriormente volta a ganhar altitude em direção a Kasteelberg e Eight Feet.
A região de Riebeekberg abriga o Toyota Tough Section do dia. Depois da descida, entretanto, ainda haverá uma longa ligação até Wellington.
A aproximação da chegada será feita por estradas abertas, com a subida de Patatskloof funcionando como uma das últimas dificuldades antes dos vinhedos de Wellington.
A etapa termina no Imbuko Wines, que será a base das três últimas jornadas.
Etapa 6 – 27 de março – Queen Stage
Imbuko Wines – Imbuko Wines | 83 km | 3.100 m de elevação


A sexta etapa será a Queen Stage da Cape Epic 2027. E os números explicam o motivo: apenas 83 quilômetros, mas impressionantes 3.100 metros de ganho de elevação.
É a maior relação entre distância e altimetria de toda a edição.
A etapa começa praticamente subindo. O primeiro grande obstáculo será Hawequa, seguido pela descida pelos Scout Trails.
Na sequência aparece Seven Peaks, conectando-se ao trecho Cool Runnings antes de uma nova sequência de ascensões.
O principal ponto do dia, porém, será o Cliffhanger.
A aproximação começa na Canetsfontein Wine Estate e conduz os competidores por uma série de switchbacks construídos na encosta. O trecho combina exposição, inclinação e terreno técnico, exigindo precisão na condução e capacidade de manter o controle mesmo depois de vários dias de competição.
Depois do Cliffhanger, a etapa ainda não estará terminada.
Os competidores enfrentarão uma sequência formada por Full Monty, Route 66, Unhappy Hog e Golden Mile, antes de retornarem ao Imbuko Wines.
A Queen Stage chega no momento mais avançado da competição em que os ciclistas ainda precisam enfrentar grandes diferenças de altitude. O desgaste acumulado das cinco etapas anteriores passa a ter influência direta na capacidade de escalar e, principalmente, na segurança durante as descidas.
Por isso, a sexta etapa poderá exigir simultaneamente condicionamento físico, técnica e estratégia de dupla.
Etapa 7 – 28 de março – Grand Finale
Imbuko Wines – Imbuko Wines | 64 km | 1.350 m de elevação


A última etapa terá 64 quilômetros e 1.350 metros de ganho de elevação.
Em comparação com a Queen Stage, os números são modestos. Entretanto, a dificuldade está no momento em que a etapa será disputada: depois de seis dias de corrida, incluindo a Queen Stage do dia anterior.
O percurso sobe em direção a Groenberg, onde aparece a subida Luislang.
Depois vem uma sequência de descida para Welvanpas, com os trechos Bull Run e True Grit mantendo a exigência técnica mesmo na etapa final.
A rota passa ainda por Doolhof Wine Estate antes dos quilômetros finais, incluindo a última subida e a descida de Blazing Saddles.
A característica do Grand Finale é diferente das grandes etapas anteriores. O objetivo não será apresentar a maior dificuldade física da semana, mas manter a competição aberta até os quilômetros finais e exigir concentração das duplas até a linha de chegada.
Um percurso que distribui as dificuldades
O desenho da Cape Epic 2027 apresenta uma distribuição interessante de características.
O prólogo começa com uma relação elevada entre distância e altimetria. A primeira etapa introduz imediatamente uma grande maratona e estabelece Waboomsberg como o ponto mais alto da história da competição.
A segunda e a terceira etapas aumentam a presença de trilhas técnicas e singletracks, enquanto a quarta concentra a dificuldade em uma sucessão de subidas e descidas.
A quinta etapa muda novamente o cenário, levando as duplas para longas estradas abertas do Swartland. Já a sexta concentra a maior carga de escalada em relação à distância e recebe o status de Queen Stage, com o Cliffhanger como principal referência técnica.
Finalmente, o Grand Finale reduz distância e altimetria, mas mantém trechos técnicos suficientes para impedir que os competidores relaxem antes da chegada.
No conjunto, são 701 quilômetros e 17.150 metros de ascensão acumulada. Mais do que simplesmente apresentar grandes números, o percurso de 2027 foi construído para alternar características: montanha, singletrack, descidas técnicas, estradas de terra, vento, trechos abertos e grandes sequências de escalada.
Para as duplas, essa variedade significa que uma preparação específica para apenas um tipo de terreno não será suficiente. A Cape Epic 2027 exigirá capacidade de sustentar esforço por muitas horas, eficiência nas subidas, controle nas descidas técnicas e, sobretudo, capacidade de administrar o ritmo em parceria.
A prova começa em 21 de março, em Lourensford, e termina oito dias depois, em 28 de março, no Imbuko Wines. Entre os dois pontos estarão algumas das regiões mais tradicionais do mountain bike sul-africano e um dos percursos mais exigentes já apresentados para a competição.

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